Streaming, democratização e pirataria

  • Jornal Impressão
82% dos assinantes de conteúdo on demand afirmam ter reduzido o consumo de conteúdo pirata por causa da tecnologia.

Por Amanda Ferreira, aluna de Jornalismo do UniBH

Nos últimos anos, o setor do entretenimento passou por diversas adaptações, dentre elas, a chegada dos serviços de streaming e on demand. No Brasil, especificamente, tal transformação trouxe inúmeras contribuições para a população.

Em tempos de pandemia e distanciamento social, em que ficar em casa não é apenas uma opção, mas uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), plataformas de streaming de vídeo, como Netflix, Globoplay e Amazon Prime conquistaram espaço fixo no dia a dia dos brasileiros.

Atualmente, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de assinantes da Netflix. A plataforma, que atingiu a marca de 200 milhões de assinaturas no fim de 2020, conta com 16,364 milhões de usuários brasileiros, representando quase metade de todos os assinantes da América Latina, de acordo com a estimativa da Comparitech, site britânico de pesquisas e comparativos de serviços de tecnologia.

Mas, o que simboliza esse cenário? Qual sua influência em outros serviços, como na TV por assinatura e TV aberta, por exemplo? E os benefícios advindos dessas novas modalidades? Antes de tudo, é necessário entendermos o que são esses serviços e como eles funcionam.

O que é Streaming?

Streaming é a tecnologia que faz a transferência de dados pela internet, sem que o usuário precise fazer download dos conteúdos para acessá-los.

Se, antes, era preciso comprar DVDs, alugar, baixar, ou até mesmo esperar passar na TV, hoje é possível ter acesso a uma incontável seleção de filmes, séries e vídeos, de forma instantânea, desde que exista uma conexão com a internet.

É chamado de on demand, ou sob demanda, em português, todo o conteúdo que pode ser acessado no momento em que a pessoa deseja. Na TV tradicional, por exemplo, não é possível assistir a um programa fora do horário de exibição.

Essas tecnologias permitem consumir filmes e séries em qualquer lugar e a qualquer momento, de forma rápida e a um custo mais acessível. Empresas como a Netflix cobram somente uma mensalidade para acessar um grande acervo de conteúdos audiovisuais nacionais e internacionais.

A queda da TV por assinatura

Segundo dados divulgados pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), a TV paga no Brasil encerrou 2020 com 14.856.453 contratos ativos. Em comparação com os números de anos anteriores, a queda foi de 2.658.023 clientes. Isso equivale a 151 assinantes a menos por hora, ou 2,5 a cada minuto.

Tais números podem evidenciar a insatisfação da população em assistir programações repetitivas e nada atraentes, em que se cobra um valor alto para ter pacotes “engessados”, com canais específicos que, na maioria das vezes, o consumidor sequer assiste. Um cenário muito semelhante a este tem sido o da TV tradicional.

O hábito da TV aberta

Se, hoje, podemos decidir o momento em que iremos desfrutar destes conteúdos e temos um catálogo com opções diversas à nossa disposição, por que ainda consumimos os canais da televisão aberta, por exemplo?

A resposta é simples. A proposta dos serviços é complementar, e um não anula o outro. Podemos assistir Caldeirão do Huck em uma tarde de sábado logo após uma maratona da série favorita na Netflix, por exemplo.

Desde a implementação dos canais por assinatura, as emissoras de televisão locais vêm sofrendo com a perda de público diária, mas isto não significa que não exista uma audiência fiel.

Os grupos mais jovens têm uma preferência pelo conteúdo via streaming. Mas a TV aberta, por outro lado, ainda é a preferida do publico mais velho, que não abre mão do programa favorito em uma noite de domingo ou dos noticiários diários, que se tornaram um hábito cultural.

Pensando nisso, os grandes veículos de comunicação, como a Rede Globo, por exemplo, têm se reinventado e apostado no serviço de streaming on demand, com o lançamento da Globoplay, em 2015, a plataforma digital que une a programação da TV tradicional brasileira com a TV por assinatura, sob a proposta de “tudo em um só lugar”.

Existe algo mais democrático que a liberdade de escolher como e quando acessar o que deseja?

A democratização do entretenimento

Filmes, séries e documentários, além de serem uma fonte de entretenimento, trazem conhecimento e reflexões importantes para a população.

Apesar dos avanços ocorridos nos últimos anos, o acesso ao cinema no Brasil não é democrático. O preço dos ingressos é elevado e as salas se concentram nos grandes centros urbanos, deixando de lado as pequenas cidades.

E é aí que entra a importância do streaming para essas pessoas. Seja em um smartphone, computador ou televisão, basta ter acesso à internet e uma assinatura em alguma das empresas que ofertam o serviço que o entretenimento da família já está garantido em qualquer lugar do mundo. Fator que foi determinante para redução da pirataria no país.

Consumir conteúdo audiovisual via streaming ficou mais acessível do que ir ao cinema. Imagem: Unsplash.
A Netflix no combate a pirataria

Se a população tem acesso a um conteúdo de qualidade, que lança séries e filmes ao mesmo tempo no Brasil e Estados Unidos, isso torna a pirataria menos atraente.

É o que confirma a pesquisa realizada pela empresa de análise de mercado, Alexandria Big Data, que entrevistou 1.596 pessoas no Brasil, sendo 83% delas assinantes de algum serviço de streaming. Dessas, 82% disseram ter diminuído o consumo de conteúdo pirata por causa da tecnologia.

Antes, a burocracia para se ter acesso a uma produção cinematográfica era muito maior. Os filmes demoravam para sair dos cinemas e chegarem até as nossas casas, além do alto valor cobrado pela unidade, seja na compra ou no aluguel, induzindo as pessoas a buscarem alternativas, recorrendo a pirataria.

As transformações tecnológicas não vêm para exterminar as anteriores e sim para sofisticar, aprimorar e evoluir. A competitividade é sim algo importante na realidade brasileira e totalmente saudável, e é primordial entendermos isso para estarmos abertos ao progresso.



0 0 vote
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments