Seriam os famigerados biticoins coisa do passado?

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Já presente no mundo dos games, da música e das artes digitais, NFT já ganhou a confiança e o investimento de diversos empresários ao redor do mundo.

Por Bruno Sousa e Rafael Teodoro, alunos de Jornalismo do UniBH

Criado em 2009, o Bitcoin – moeda eletrônica para transações ponto-a-ponto, por algum tempo, teve dificuldades de se tornar algo relevante para o mercado de investidores. A então recente criptomoeda não era vista pelos empresários como legítima. Passados alguns anos, em 2021, um Bitcoin tem o valor de US$55 mil, podendo atingir os US$100 mil ainda esse ano. Em 2010, se fosse investido o equivalente a um dólar, esse número já estaria em US$3.024.989 atualmente.

Porém, com toda a revolução mercadológica que o Bitcoin trouxe abriu-se a porta para uma diversidade muito grande de outras moedas digitais. Algumas delas, que têm chamado a atenção em tempos recentes, são as criptomoedas que utilizam tecnologia NFT.

O que é a tecnologia NFT? 

Non-fungible token (NFT), ou token não fungível, é uma espécie de token criptográfico que representa algo único, específico, individual, que não pode ser substituído, e esse aspecto é o diferencial dessa tecnologia, que chama muita atenção de empresários e investidores. Contrário à outros tokens utilitários, como o Bitcoin, os NFT’s não são intercambiáveis.

Ilustração que demonstra a diferença entre os tipos de tokens. Imagem: erc721.org.

Isso significa que, quando você compra essa tecnologia, seja ela em qualquer formato, dentro de um jogo, uma obra de arte digital ou uma música criptografada com o NFT, é literalmente sua, ou seja, ninguém pode alterar. E o que garante a posse e o valor desses tokens é o Blockchain.

Blockchain 

Em um ambiente digital, dados podem ser copiados e alterados. Para que uma moeda virtual fosse criada, era necessária uma tecnologia que impedisse essas duas características. Surgiu, então, em 2008, o Blockchain, também conhecido como “protocolo de segurança”. Em outros termos, é como se essa tecnologia fosse o “livro contábil” dos tokens. “É uma rede que funciona com blocos encadeados, muito seguros, que sempre carregam um conteúdo junto a uma impressão digital”, afirmou Jean Prado, pelo Tecnoblog, em 2018.

NFT e a Arte Digital  

A arte digital é uma realidade e, hoje em dia, tanto quadros digitais, quanto memes, são vendidos a preços exorbitantes para colecionadores. Um exemplo é a obra de arte, criada ao longo de cinco mil dias, do artista americano Mike Winkelmann.

Obra de Mike Winkelman, vendida por 69 milhões de dólares. Imagem: Reprodução Christie’s

A obra, quando finalizada na vida real, foi transformada em um NFT pelo artista e, assim como no mundo real, no virtual só existe uma única versão. Ela foi leiloada na famosa casa de leilões Christie’s, sendo avaliada em US$69 milhões. Está entre as maiores vendas de obras de arte da história.

NFT no futebol 

No futebol, a “febre” do NFT já atingiu clubes gigantes. PSG, da França, Juventus, da Itália, Liverpool, da Inglaterra, e Real Madrid, da Espanha, são exemplos de times que estão em plataformas como a Sorare, que é em blockhain e usa os NFTs em uma junção com cards colecionáveis.

No Brasil, o pioneirismo ficou por conta do Atlético Mineiro. O clube, que anunciou sua entrada para o mundo dos NFTs no início de maio de 2021, tem interesse em expandir a sua marca em âmbito internacional, buscando públicos que ainda não foram explorados, com intuito de aumentar a sua torcida em locais ainda distantes, seja fisicamente ou por contextos como a falta de calendário para jogos, ou até mesmo pela língua.

No caso do Atlético, localidades como Ásia, Europa e América do Norte, onde existe a presença muito forte da Sorare, são terrenos a serem conquistados. Essa parceria é benéfica para os clubes também no âmbito econômico, por criar novas receitas no mundo digital que vão muito além de sua própria torcida.

NFT e os Jogos Eletrônicos  

Um dos setores mais beneficiados pela onda do NFT, sem sombra de dúvidas, é o dos games, seja em jogos online de plataformas como os videogames e computadores, ou em jogos de celular. Um exemplo é o famoso e revolucionário Pokémon Go, em que, agora, o usuário pode negociar coisas como criaturas, itens e pedaços de terra digitais, tudo isso utilizando uma criptomoeda criada especialmente para o jogo. Esse token é o responsável por fazer a movimentação econômica de todo o ecossistema do jogo.

Várias exchanges (corretoras de criptomoedas) ao redor do mundo já estão negociando essa criptomoeda devido ao gigantesco sucesso dentro do jogo. Seu valor já chegou a níveis muito altos e espera-se que valorizem ainda mais, pois o jogo tem uma média de 25 mil usuários por dia.

NFT’S e as consequências ao meio ambiente 

Você pode estar se perguntando: como arquivos digitais poderiam afetar de forma negativa o meio ambiente? A tecnologia que torna os NFTs possíveis afeta sim nosso ambiente devido às “pegadas” de carbono.

As emissões de carbono estão conectadas ao uso da Blockchain, que precisa de grandes quantidades de energia e equipamentos para funcionar, todo o tempo, 24 horas por dia. A Ethereum, uma rede onde a maioria das transações de NFT ocorrem, consome algo em torno de 40TWh (terawatts-hora) por ano. Segundo o site Digiconomist, o consumo é comparável ao de toda Nova Zelândia, ainda assim o consumo é menor que do Bitcoin, que usa uma quantidade de energia 2,5 vezes maior.

Investir é correr riscos. Não é possível ter total certeza de qual será a próxima criptomoeda que tornará pessoas que investiram nela milionárias. O que é possível fazer é estudar sobre o mercado e analisar suas estruturas para tentar uma previsão.



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