O sucesso por trás do Big Brother Brasil

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O reality conta com recordes de audiência e novidades que inovaram o formato.

Por Luciano Neto, aluno do 8º período de Jornalismo no UniBH

Programas com o formato de reality show já não são novidade no Brasil. Antes do Big Brother Brasil ir ao ar, tentativas de sucesso curto já haviam aparecido nas telinhas, como A Casa dos Artistas e No Limite. Desde a sua primeira edição, o BBB sempre foi conhecido por anônimos que, após o final do programa, engrenam em carreiras de sucesso, são exemplos a atriz Grazi Massafera e a apresentadora Sabrina Sato.

O programa teve sua primeira edição em 2002, mais precisamente no dia 29 de janeiro. A segunda edição seguiu no mesmo ano e, a partir da terceira, o programa seguiria a periodicidade anual. Hoje, em sua 21ª edição, o Big Brother Brasil atinge o seu auge de engajamento, tem média de 27 pontos no Ibope, o maior número em oito anos. A terceira semana do reality obteve 28 pontos em seus sete episódios. Os números do Kantar Ibope dizem respeito a São Paulo. Mas, por que o reality show faz tanto sucesso nos dias atuais? Qual o segredo para tamanho engajamento?

A competição constante é um dos fatores determinantes, os participantes estão em pressão contínua, já que competem entre si o prêmio de 1,5 milhão de reais. Eles são submetidos a provas de resistência, esforço físico e mental. Além de sofrerem com castigos como o “monstro”, em que vestem uma fantasia escolhida pela produção e fazem algumas tarefas que surgem em momentos aleatórios. Festanças recheadas de bebidas alcóolicas são importantes para expor alguns participantes, principalmente aqueles que exageram na dose. No fim, chegamos à melhor parte, o famoso paredão, a tensão e pressão psicológica de correr o risco de perder o prêmio aguça o mental do jogo.

O programa constrói a narrativa de heróis e vilões, onde o público julga aqueles que merecem seu afeto e rejeitam outros que não são tão merecedores de tal atenção. O papel da internet é de extrema importância no sucesso do Big Brother, sentir que faz parte daquilo é atrativo. Utilizando o algoritmo da hashtag, apareço na tela durante as exibições ao vivo e posso falar “olha o meu tweet ali”. Pensar que sua participação é importante para o programa, aumenta a sua popularidade. O reality segue o formato de “duas telas”, ou seja, além da participação pela internet, o público tem acesso a todas as câmeras através do streaming da emissora, Globoplay, com programações 24h.

Hora da renovação

A edição do BBB 20, podemos dizer, foi um divisor de águas para o sucesso do Big Brother Brasil, tanto em audiência televisiva, quanto no digital. O programa inovou ao trazer celebridades (Babu Santana, Manu Gavassi, Petrix Barbosa, Lucas Chumbo, Gabi Martins, Pyong Lee, Bianca Andrade, Rafa Kalimann e Mari Gonzalez), com seus milhões de seguidores, e misturá-los aos anônimos, criando os grupos Pipoca (anônimos) e Camarote (celebridades), além do jovem e conhecido apresentador, Tiago Leifert.

Trazendo um público renovado para as telas, a Globo dava a sua cartada certeira para reerguer a audiência do programa, já que a 19ª edição foi a de menor audiência da história do reality, ficando com uma média de 20.3 pontos na Grande São Paulo entre os dias 15 de janeiro e 11 de abril de 2019.

Além de já transmitir, desde a sua primeira edição, em horário nobre, convidar artistas conhecidos nacionalmente atraiu o público de volta ao jogo. O programa de 2020 teve um de seus recordes registrado no famoso Guinness book, como a maior votação de um reality show da história: foram 1,5 bilhões de votos no paredão que eliminou o arquiteto Felipe Prior e contava ainda com a cantora Manu Gavassi e a modelo Mari Gonzalez.

Participantes da 20ª edição do BBB. Fonte: Gshow/Divulgação.

A edição também teve média diária de 37 milhões de espectadores nas TVs aberta e por assinatura, além de 4,3 bilhões de impressões (número de vezes que o seu conteúdo foi exibido para alguém) nos perfis oficiais das redes sociais, segundo o diretor de negócios integrados em publicidade, Eduardo Schaeffer, em entrevista ao portal EXAME, após o fim da edição de 2020 do programa.

Ele também ressalta o crescimento do engajamento entre adolescentes e jovens entre 12 e 24 anos. Na plataforma Globoplay, o diretor destacou a marca de 95 milhões de horas assistidas no dia 24/04/2020, três dias antes da grande final daquela edição, o número é equiparado a 13 mil Copas do Mundo na íntegra.

Acredito ser um conjunto da obra o sucesso do BBB hoje. O público sendo mais participativo no programa seria o principal, o restante é a consequência do mundo digital globalizado que vivemos. Com um público engajado, mais tweets são feitos sobre o programa e, assim, alcançam um público maior. O streaming também é um fator importante, já que 50% dos usuários de smartphone verificam seus dispositivos assim que acordam e 63% conferem o celular antes de irem para a cama. Os jovens entre 16 e 24 anos são mais ativos. 62% acordam com o celular em mãos e 77% o conferem antes de irem dormir, segundo dados da eMarketer. Este fácil acesso, somado a uma juventude mais ativa, facilita o alcance do aplicativo Globoplay, que conta com mais de 50 milhões de downloads no Google Play.



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