O mapa cultural que nos transporta para fora da bolha

Podendo retornar às atividades culturais na capital mineira, o Caderno Do!s do Jornal Impressão servirá como guia para diversos espaços alternativos

Por Emannuelly Gomes

Depois de quase dois anos daquilo que seriam apenas 15 dias de quarentena, isolados, para nos prevenir contra o novo coronavírus, finalmente, começamos a ter uma perspectiva de voltar ao normal. Durante esse período, foi necessário que as pessoas se isolassem em suas casas e evitassem ambientes movimentados para não causar aglomerações e, assim, espalhar o vírus. Como forma de manter o controle, as prefeituras de todo Brasil decretaram o fechamento de todo e qualquer lugar e/ou evento que pudesse motivar a concentração de pessoas, até que boa parte delas estivessem vacinadas.

Até o momento em que este texto foi escrito, mais de 55% da população brasileira já estava totalmente vacinada. Em Belo Horizonte, segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, mais de 70% das pessoas já se imunizaram por completo. As vacinas atuam na prevenção, reduzindo a possibilidade de infecção e, se por acaso ocorrer a contaminação, a vacina pode evitar que o vírus evolua para quadros mais graves e até mesmo a morte.

A propósito, se você, leitor, ainda não se imunizou, em respeito à sua vida e à vida daqueles que você ama, vacine-se! Mas, por que estou falando de vacina? Porque graças à eficácia das vacinas e ao número de pessoas imunes, podemos respirar velhos e novos ares, ir ao barzinho com os amigos e frequentar eventos.

Ainda não podemos sair sem máscara, no entanto, os bares e restaurantes da capital mineira já podem funcionar com capacidade total e não será mais exigida distância mínima. Além disso, agora, a presença de público em eventos e nos estádios de futebol é de 100% da capacidade. Essas medidas são músicas para os ouvidos do belorizontino consciente e consumidor de cultura e lazer, que passou tanto tempo confinado em casa.

Confesso que, para mim, o início do isolamento social foi bem difícil pela falta de perspectiva do futuro. Conforme os meses foram passando, o choque de realidade e as crises me fizeram perceber que era além do que sentia. Entendi que não havia aproveitado minha vida como realmente gostaria e, se porventura tivesse me infectado e me entregado ao vírus, não teria feito diversas coisas, nem conhecido lugares que tenho vontade. Com isso, decidi fazer uma lista de desejos com tudo que espero fazer depois que o isolamento social acabar. E, para ter um guia bem completo preciso, claro, estudar o máximo de espaços que correspondam aos meus interesses.

Recentemente, tomei conhecimento do Mapa Cultural BH, um site colaborativo, mantido pela Prefeitura de Belo Horizonte, que tem informações oficiais e da população, que pode se cadastrar e divulgar suas propostas. De maneira geral, a plataforma tem informações sobre eventos, espaços, agentes e projetos culturais de toda região de BH, com o objetivo de gerar informações confiáveis e atualizadas, de maneira acessível.

Mapa Cultural BH tem informações sobre eventos, espaços, agentes e projetos culturais de toda a região. Imagem: reprodução.

A página é bem intuitiva, cada seção possui um mapeamento que destaca o local exato do evento ou espaço e, ao clicar, a pessoa tem acesso aos detalhes. Ainda é possível refinar a busca de acordo com seus interesses. Nos eventos, por exemplo, dá para filtrar pela linguagem e pela classificação. É impressionante a riqueza de dados concentrados na página. Porém, o mais interessante é que ela nos leva para além do tradicional. Certamente, é uma ferramenta que vai me ajudar daqui em diante.

Quis falar dessa plataforma porque ela nos coloca em um lugar de inquietude, desbravando o desconhecido. E fugindo do comum, surge a edição 217 do Caderno Do!s do Jornal Impressão. Este dossiê de cultura vai elencar diversos pontos e atividades culturais alternativos de BH, mostrando locais e grupos que poucos conhecem. Preciso dizer que minha lista de desejos agradece. Estou ansiosa para poder visitar todos os bares temáticos da nossa capital, também quero muito passear pelas áreas verdes abertas ao público e, quem sabe, fazer um piquenique. Nunca fiz, acho que até vou adicionar às metas.

Enfim, não tinha momento melhor para esta edição. As próximas páginas são como pílulas de revigor, após tudo que nos ocorreu, temos a esperança de poder viver novamente e não apenas sobreviver. Todas as coisas que passam por nós deixam cicatrizes, não vai ser possível apagar da memória os momentos de tensão vividos durante o isolamento social. Podemos, entretanto, aproveitar a vida, o agora. Fazer listas de desejos e realizá-las, ou não. O importante mesmo é reconhecer aquilo que gostamos, mas não se limitar a isso, sair das bolhas em que nos colocamos e conhecer coisas, lugares, pessoas e culturas novas.



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