O futebol deve parar devido à pandemia?

O que as autoridades devem fazer para conter o vírus em meio ao esporte?

Por André Zorzin Gomes, aluno do 8º período de Jornalismo do UniBH

Estamos vivendo o pior momento da pandemia em nosso país, desde que a Covid-19 chegou ao Brasil, há pouco mais de um ano. Os leitos de hospitais estão superlotados, a vacinação está muito devagar em relação aos países de primeiro mundo, os cuidados da população não estão sendo suficientes, e muitas pessoas estão sendo vítimas desse vírus. E o questionamento que fica em meio a esse caos que estamos vivendo é a seguinte: O futebol profissional, deve parar ou continuar?

Para o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Rogério Caboclo, o futebol não só deve, como ele irá fazer de tudo para não parar. Em uma reunião virtual, com os presidentes dos principais clubes do Brasil, Caboclo deixou bem claro sua opinião sobre a paralisação do futebol no país, e disse que os clubes estariam “f….” se optarem por não jogar, e que ele irá mandar no futebol e vai determinar que as partidas aconteçam.

Um dos relatos que mais chamou atenção no meio do futebol nesses últimos dias foi do técnico do América-MG, Lisca, quando ele defendeu a paralisação do futebol, em uma entrevista antes do jogo, na beirada do campo, em que ele disse: “Eu faço um apelo à CBF para dar um tempo nessa Copa do Brasil. Para que a gente adie um pouco esses jogos, né? Nós vamos jogar só no dia 18, talvez até lá. Mas, tem jogos já agora na próxima quarta-feira. E eu tenho certeza que meus colegas também estão preocupados. Eu sou pai de família, tenho duas filhas e uma esposa. Eu quero viver, gente”. O comandante americano ainda salientou que já perdeu alguns amigos para a COVID-19, e que não quer continuar nessa situação.

Vimos casos de jogadores, técnicos, e outros personagens que estão envolvidos com o futebol brasileiro sendo infectados pela COVID-19, e alguns até mesmo indo a óbito. A CBF fez um levantamento com dados do vírus no meio do futebol brasileiro na temporada que encerrou em fevereiro de 2021, e podemos observar que nenhum jogador entrou em campo sem ser testado. Foram realizados 89.052 testes PCR em pessoas envolvidas nas partidas e, desse número, apenas 2,2% de todos os testes deram positivos.

Com esses dados que a CBF levantou, mostrados acima, vimos que cerca de 1.959 pessoas envolvidas nas partidas de futebol testaram positivo ao longo da temporada, o que é um número baixo em relação aos casos que estão acontecendo ao redor do país. Na minha opinião, o futebol brasileiro precisa continuar acontecendo, mas com medidas mais rígidas do que as medidas que já estão sendo tomadas até o momento. Devem restringir ao mínimo o número de pessoas envolvidas em uma partida, os testes devem ser feitos com uma antecedência maior aos jogos, para não ter alguma surpresa (como o caso do jogador Valdivia, que testou negativo para a partida e no intervalo dela o teste para o jogo seguinte saiu, dando o resultado positivo), devem ser testes seguros, para evitar qualquer erro.

Estamos vivendo uma pandemia, que acreditamos que seria breve, e hoje já passamos de um ano confinados em casa, sem encontrar amigos queridos, familiares. Não podemos sair para aproveitar o que gostamos de fazer, e até mesmo não podemos ir ao estádio assistir uma partida do nosso time, como fazíamos antes da chegada do vírus. Com isso, eu sou da teoria de que o futebol precisa continuar para, pelo menos, servir de entretenimento à população que tanto ama esse esporte.

Mesmo com todos esses cuidados tomados pela CBF em relação a COVID-19, os protocolos irão ficar ainda mais seguros para a temporada de 2021. Teremos os testes PCR, em média, 72 horas antes de cada partida, para atletas e extensivo à comissão técnica no campo de jogo. Testes PCR após 72 horas do retorno da delegação nas rodadas como visitantes, se o intervalo para a partida seguinte exceder cinco dias, e notificação compulsória dos casos positivos à Comissão Médica Especial da CBF – obrigatória para análise de liberação do isolamento respiratório.

Mas a partir do momento em que os casos no futebol começarem a aumentar, as medidas de segurança começarem a ser insignificantes, e o vírus começar a espalhar no meio das pessoas envolvidas no esporte, deve sim ser paralisado e aguardar um momento mais propício para a realização do mesmo.

 



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