O aniversário do Galo visto de dentro

O relato de um funcionário (e torcedor) sobre a produção de mais um aniversário atleticano na pandemia.

Por Bruno Sousa, aluno do 8º período de Jornalismo do UniBH

Há cinco meses trabalhando como produtor de conteúdo na Central Multimídia do Clube Atlético Mineiro, resolvi transmitir aqui um dos dias mais importantes do ano para o clube, e para a torcida, sob a perspectiva interna. Antes de qualquer coisa, não, eu não falo em nome do Atlético aqui, falo em nome do Bruno, da posição que o Bruno ocupa, com as funções que o Bruno tem hoje.

Enquanto “apenas” torcedor, o aniversário do Atlético sempre foi um evento muito esperado por mim, por conta da tradição de fazer a vigília na Sede de Lourdes. Agora, como funcionário, tive a oportunidade de viver essa experiência, mas de uma forma diferente. Apenas um adendo na história: em 2019 e 2020 eu já fazia parte da equipe de comunicação do Atlético, porém, como estagiário. Por conta do cargo, que exigia uma carga horária de trabalho específica, não pude participar efetivamente das ações. Imaginem a minha expectativa para esse 25 de março de 2021?

Como não poderia deixar de ser, a situação atual da pandemia no Brasil teve total influência na forma que toda a comemoração foi pensada. Em 2020, já nessas circunstâncias, mas não com números tão alarmantes, a ideia era de realmente comemorar o aniversário dentro de casa. Para este 25 de março, buscamos uma linha mais comedida, sem incitação à comemoração, explorando a história do clube, fatos, ex-atletas notáveis e torcedores ilustres.

Com um planejamento existente há cerca de 15 dias, tudo parecia sob controle. Então, como tudo no futebol, as coisas mudaram muito rapidamente e fizeram com que o projeto da ação de aniversário sofresse uma drástica alteração. Menos de cinco dias para produzir a principal ação de um clube com milhões de torcedores e seguidores nas redes sociais, é mole? Aí que entra o privilégio de ter uma equipe como a que temos na comunicação do Atlético. Virando o projeto de cabeça para baixo, colocamos em prática uma “missão relâmpago”.

Então, qual a participação do ex-estagiário nessa história toda? Encabeçando a produção dos conteúdos “externos” para as redes sociais, aliando à coordenação das lives diárias da TV Galo, vivi uma das maiores experiências profissionais da minha vida. Ok, não tenho uma carreira tão extensa na comunicação, ainda nem me formei e não estou nem perto de ser o head da minha equipe, mas acredito que compartilhar esse tipo de sentimento faz bem para nós — não é papo motivacional, eu juro.

Para qualquer torcedor fanático, trabalhar no seu clube do coração é um sonho de vida e carreira. Nunca foi diferente comigo, apesar de eu sempre ter tentado desvincular o sentimento da função. É aquela história do “amigos, amigos… negócios à parte”, na teoria, já que na prática eu me pego emocionado em 80% de tudo que eu faço.

É, ainda há algo que faz o coração bater mais forte quando se fala de Galo. Justamente por isso, me peguei perplexo em meio a contatos com grandes ídolos da nossa história, com títulos e grandes momentos construídos com a camisa que eu visto há tanto tempo. Onde já se viu você mandar mensagem para o Taffarel e receber uma resposta instantânea? Como que eu falo com o Pierre para participar de uma ação em homenagem ao aniversário do clube e as primeiras palavras de agradecimento partem dele e não de mim? E ter o retorno de ícones da internet atual como Gustavo Tubarão e Djonga? Ter uma caminhada com grandes nomes e momentos memoráveis como tem o Atlético, além de torcedores ilustres que são destaques nos seus segmentos, de certa forma até dificulta esse tipo de evento. Pensando no lado organizacional e estritamente profissional da questão, o filtro precisa ser passado várias e várias vezes, para que somente o material essencial para o momento seja colhido e/ou produzido. Isso foi feito, claro, mas em vários casos, com aquela dorzinha no coração.

Com a maioria dos vídeos em mãos, após diversas dificuldades de contato, com direito a fuso horário atrapalhando, começamos a produção da agenda de publicações. Mais uma vez, a parte organizacional e estritamente profissional entra em ação, já que uma enorme quantidade de vídeos com depoimentos não teria tantas chances de entregar o engajamento esperado para a ocasião, em nenhuma rede social. Ainda que com um número alto de vídeos, para o Twitter, fizemos alguns agrupamentos e apostamos em determinados nomes para serem soltos sozinhos, pensando na importância do personagem para o clube e no retorno numérico em relação ao engajamento. Em relação ao Instagram, os agrupamentos tiveram que ser feitos de forma ainda maior, por ter uma rotatividade menor no feed. A produção dos textos também foi totalmente feita a partir da divisão de grupos de vídeos. Houve alterações por conta da chegada (ou não) de alguns, mas nada muito drástico.

Ainda que sejam as redes sociais de um clube de futebol, que é algo extremamente passional, não se pode deixar levar por essa narrativa de que o torcedor irá render tudo que estiver lá. Existe a necessidade de se olhar para elas como um produto independente, as ações precisam ser coordenadas e organizadas pensando no retorno numérico de engajamento, para, a partir daí, se colocar a paixão do torcedor, que também somos, para agir e trazer o que há de melhor dessa junção.

A comunicação do Atlético é feita, literalmente, de torcedores para torcedores. Essa é a melhor definição. Acredito que esse sentimento seja o diferencial para que as redes do Galo alcancem números expressivos e posições altas nos rankings de engajamento entre clubes. Como eu disse lá atrás, eu já fui “apenas” um torcedor, estar dentro do clube, ser um dos responsáveis pelo que há de mais bonito nessa paixão, que é celebrar a existência do Clube Atlético Mineiro, me traz um gosto de realização que é bem doce. É isso, o Atlético mexe com o que há de melhor em mim. Aliás, não somente em mim, em nós, pois “nós somos do Clube Atlético Mineiro!”



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