Identidade visual como ferramenta para alavancar negócios

Com o incentivo ao empreendedorismo, cada vez mais marcas aparecem no mercado, e cresce, também, a procura por designers e projetos de identidade visual.

Por Luís Otávio Peçanha, aluno do 6º período de Jornalismo, e Thiago Toledo, aluno do 5º período de Publicidade e Propaganda.

O que é?

A identidade visual pode ser definida como um conjunto de elementos que, juntos, criam a “cara” de uma marca. A criação desta identidade é essencial para posicionar sua empresa dentro do mercado, usando de elementos desenvolvidos com base nos ideais do empreendimento para passar sua mensagem e se comunicar com seu público.

“Eu costumo dizer para os meus clientes que a identidade visual é o bem mais durável da empresa deles, porque, se ela for bem feita, ela vai acompanhar e vender a marca da empresa durante toda a existência do negócio. Costumo falar de um fato científico para eles também: que nosso cérebro demora cerca de oito segundos para tomar uma decisão, logo, se sua empresa não chamar a atenção do seu público dentro desse tempo, o seu cliente vai desviar o olhar para alguma outra coisa”, explica Felipe Barcellos, CEO da Key Design, agência de design e marketing do Rio de Janeiro.

Quando idealizamos a criação da identidade visual de uma marca, é necessário pensar no logo, tipografia, grafismo e cores que compõem todos os materiais ligados à marca. Mas engana-se quem pensa que ela se limita apenas a isso. A identidade se trata da primeira impressão do público, a maneira como seus possíveis clientes enxergam sua marca, logo, todo cuidado é pouco para o desenvolvimento e criação.

O diferencial trazido pela originalidade de uma identidade visual

Um erro muito comum é pensar que a identidade visual é baseada apenas em itens visuais, como os citados acima. Ela é capaz de definir muito mais sobre sua empresa do que você imagina. Primeiramente, a originalidade é um ponto essencial para se pensar, pois você não quer que a imagem da sua empresa não seja única, que não deixe uma marca ou lembrança para quem a vê. A vantagem de ter uma imagem própria é o fato de ser facilmente reconhecível, das pessoas conseguirem entender qual mensagem seu empreendimento quer passar e o que você tem para proporcionar aos seus clientes.

O trabalho de criar uma identidade visual sempre passa pelo designer, mas o que vai definir, de fato, o resultado final, é a maneira que você quer que sua empresa se posicione e converse com seu público-alvo, logo, desenvolver uma identidade visual original e criativa pode ajudar diretamente na comunicação da empresa, a traçar um totem de cliente ideal e, também, a marcar sua presença no mercado.

Por que apenas o logo não é o suficiente para representar visualmente uma marca?

“O logotipo irá apenas trazer significado para a marca, não irá trazer personalidade para a empresa, porque sem uma estratégia visual bem definida, podemos escorregar em algumas questões e isso acaba não dando nenhum suporte para a marca”. A frase é de Matheus Rocha, designer e estudante do curso de Publicidade e Propaganda do UniBH.

Sendo o logo a parte central da identidade da marca, todas as suas outras representações visuais irão se originar a partir dele, o que torna o logo uma parte muito importante de uma identidade visual, mas ainda assim, é apenas uma parte.

Renata Polastri é uma das fundadoras do Estúdio Bogotá, escritório de design voltado, especialmente, para o design de embalagens, porém, com a identidade visual sendo uma das três grandes frentes de trabalho. Para melhor compreender essa diferença entre logo e identidade visual, conversamos com ela.

“Quando a gente vai fazer um projeto de identidade visual, a gente não está falando de um logotipo em um fundo branco, essa é uma aplicação praticamente inexistente, então a gente tem que pensar no que chamamos de repertório gráfico, que é justamente tudo que vem em torno da marca que não é exatamente o logotipo, então tudo isso traz uma força muito grande para os projetos”, disse a designer.

“Ao pensar em tipografia, por exemplo, vamos ter tipografias de apoio, não só a tipografia do logotipo, mas também tipografias para uso em título, tipografias para texto corrido, às vezes mais de uma, então, essa definição é importante. Paletas de cores de apoio, não só paletas de cores principais, porque muitas vezes o cliente pensa, hoje, em conteúdo para redes sociais, por exemplo, a gente não pode ficar ali com a mesma cor repetida o tempo todo, você tem que ter uma dinâmica. O mesmo vale para site, por exemplo, toda essa dinâmica do digital exigiu isso. Grafismos, ilustrações, estilo de ilustração, estilo de fotografia, então você passa a criar todo um mundo de identidade que vai além do logotipo, e isso faz realmente uma grande diferença e é um pilar para a gente aqui do escritório e para a gente como designer, tornando os projetos completos”, completou.

Renata ainda trouxe um exemplo de uma identidade visual tão bem construída e implementada que, aos nossos olhos, chega a ser natural a relação.

“Pensando em paleta de cores, ela pode ser extremamente definidora para um projeto. Uma situação, que em muitos casos não é comparável, mas quando pensamos na marca da Coca-Cola: até que ponto aquele vermelho faz parte da marca? Não é apenas o desenho do logotipo, se ele for aplicado em outra cor, já não é mais a mesma marca, então essa compreensão é importante, mas, além disso, ter um sistema completo e muito bem definido de identificação, em que todas as peças gráficas de comunicação da empresa estejam bem alinhadas e fazendo parte de um todo muito harmônico”.

Esta harmonia trazida por uma identidade visual bem construída facilita para uma marca se consolidar na mente dos consumidores, por facilitar o reconhecimento, por facilitar a identificação, por tornar a marca o que ela é.

Rebranding: modernizando uma marca

Nossa personalidade se molda por nossa vivência, nós mudamos de acordo com o meio em que estamos inseridos, aprendemos e evoluímos com as influências que nós temos, marcas também passam por essas mudanças, é o chamado rebranding.

“É necessário um estudo de caso profundo, pois é preciso identificar o que estava dando errado, quais eram os pontos ultrapassados e, depois, entender o que pode dar certo, como construir essa nova imagem, o motivo dela estar se reposicionando e o porquê da empresa estar modernizada após o processo de rebranding”, afirmou Felipe Barcellos.

No vídeo abaixo, trazendo alguns cases de rebranding de marcas mundialmente conhecidas, alinhando características atreladas a elas às suas respectivas representações visuais da mesma. Vídeo: Thiago Toledo.

Matheus Rocha também falou um pouco sobre o processo de rebranding:

“O desafio está nessa parte de saber elaborar os passos de construção até se chegar à elaboração de alguns elementos de marca, existindo toda uma base de pesquisa, de compreensão do mercado, até ser possível propor um nome para a marca, um logotipo, um símbolo, um slogan, uma embalagem ou qualquer outro elemento da marca englobado no rebranding”.

O rebranding é um processo comum e natural para uma marca, é um modo de aumentar sua identificação com o público-alvo, promovendo extensos estudos sobre o cerne da marca, de forma a externar de forma eficiente seus valores ao planejar uma modernização de sua identidade visual.

“Outra questão é que também, muitas vezes, existe um apego emocional à uma marca anterior, então tem que encontrar um equilíbrio para que esse processo de rebranding seja feito de forma a não traumatizar ninguém, digamos assim”, acrescentou Renata.

Existem marcas tradicionais que permanecem anos e anos com a sua identidade visual intacta até que se faça necessária uma mudança, como é o caso da Lego, que desde 1998 não passou por nenhum outro rebranding. Porém, existem marcas que passam por esse processo pouco tempo depois de serem fundadas, buscando uma consolidação no mercado, como é o caso da agência de comunicação digital Quantum, fundada em 2020.

“Já foi necessário um processo de modernização. Tínhamos uma marca toda amarela, que era um pouco mais chamativa. Ao mudarmos o ramo de atuação da empresa, deixando de atender clientes mais populares para refinar um pouco mais o nível dos clientes, adotamos uma identidade preta e mais sólida. Essa mudança nos fez atingir o nível de clientes que queríamos, porque esta nova identidade estava condizente com o nível de serviço deles”, disse Lucas Zadra, CEO da agência.



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