Contratam-se empresas emocionalmente estáveis

Mais do que oferecer um bom salário e alguns benefícios, as empresas devem oferecer um ambiente de trabalho agradável

Por Dryelle Scarlet, aluna de Jornalismo do UniBH

Alguns dos aspectos bastante observados por empresas na contratação de funcionários são suas formações, certificações, experiências e os comportamentos, para as organizações, as habilidades emocionais são grande destaque para a efetivação. Portanto, as mesmas empresas que exigem dos funcionários uma postura emocional dominada, não teriam que também oferecer um ambiente agradável, respeitoso e confortável para os mesmos manterem o seu emocional estável?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em menos de cinco anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum do mundo. Estima-se que 121 milhões de pessoas sofram com a doença, sendo 17 milhões só no Brasil. Que a depressão, ansiedade e outros distúrbios mentais se tornaram problemas de saúde pública, isso já ficou claro, mas não seria prudente o setor privado também abraçar a causa?

Conforme a Previdência Social, em 2017, episódios depressivos geraram 43,3 mil auxílios-doença, sendo a 10ª doença com mais afastamentos. Já o transtorno de ansiedade está na 15ª posição, com 28,9 mil casos. De acordo com a plataforma Smartlab, em 2021, houve 72,4 mil afastamentos previdenciários por doenças mentais em todo Brasil, um acréscimo de 67% em relação a 2017. O aumento de jornadas extras, imposição de metas, falta de reconhecimento e autonomia no ambiente de trabalho contribuíram para os afastamentos.

Muito mais que utilizar o mês Setembro Amarelo para colocar cartazes nos murais, as empresas deveriam observar e se adequar à saúde mental de seus colaboradores, contribuindo para um ambiente afável e ameno. Ainda que poucas, algumas organizações nacionais e multinacionais buscam uma qualidade de vida para seus funcionários, exemplo da Serasa, que acredita que funcionários menos estressados, portanto, mais felizes, são mais produtivos, por isso decidiu adotar o modelo de gestão flexível de horários. O programa começou com a opção de as pessoas chegarem e saírem uma hora antes ou depois dos horários padrões de trabalho e, hoje, o horário de entrada pode ser entre 7h e 10h e a saída entre 16h e 19h, com uma hora de almoço, que também pode ser flexível.

Já a Fintech Geru, uma plataforma de empréstimo online do Brasil, contém quatro prédios descolados, onde colaboradores se reúnem para assistir a séries da Netflix na sala de descompressão, que é um local de relaxamento e descontração. O espaço também tem videogames, biblioteca e mesa de jogos. O ambiente conta com sofás e uma cozinha integrada, além disso é levemente decorado, onde são feitas festas comemorativas ao longo do ano. Muitas outras empresas têm elaborado várias maneiras de cuidar dos seus trabalhadores, como a Google, HP, Twitter, Netflix, entre outras.

Hora extra nos pensamentos pequenos

Mas não são todos que têm essa visão e esse cuidado, há presidentes, CEOs, gestores, líderes que acreditam que o custo de investir em maneiras e ambientes que auxiliem na estabilidade psicológica de seus colaboradores é um despesa alta, que não se pode arcar. Porém, há alguns anos, a mídia noticiou uma condenação do Itaú, obrigado a pagar indenização de um milhão de reais por danos morais a alguns funcionários que foram assediados moralmente por um gestor. O custo seria menor se tivessem trabalhado com inteligência emocional na empresa.

De acordo com pesquisa feita em setembro de 2021, pela The School of Life – referência no ensino da inteligência emocional – 93,58% dos líderes entrevistados e 88,21% dos liderados/operários afirmaram já terem trabalhado com alguma pessoa emocionalmente complicada, entre as quais observam perfil manipulador, humor instável ou com algum nível de agressividade.

Como foi dito, muito mais do que bater metas e ser o funcionário do mês, a qualidade mental gera muito mais lucro. A prova disso está na mesma pesquisa do The School of Life, que afirma que para 45,95% dos coordenadores, a mente e inteligência de um funcionário são os principais fatores que geram lucro para um negócio, à frente da qualidade de um produto, com 35,14%, mão de obra, com 4,39%, e tecnologia, com apenas 1,69%.

Bater ponto na mudança

Da mesma forma que um certo certificado pode não ser um diferencial para ficar à frente na competição de um cargo, apenas o salário e alguns benefícios também não são. A empresa deve contribuir para o cuidado mental de seus colaboradores, investindo em programas que melhorem a qualidade de vida no ambiente de trabalho, um bom espaço físico, contratação de profissionais da saúde psicológica, aprofundamento nas campanhas motivacionais, entre outros meios. Qualquer empresa tem que cuidar da saúde mental de seus funcionários, proporcionando informações, cultura e lazer.

Ambientes de trabalho saudáveis evitam afastamentos, minimizam os custos com saúde e com a alta rotatividade, aumentam a produtividade em longo prazo, bem como a qualidade dos produtos e serviços.



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