Assistentes sociais trabalham para assegurar direitos básicos garantidos pela constituição

Em entrevista, Alice Andrade explica o papel do assistente social, apresentando programas e projetos, a fim de garantir que todo cidadão tenha acesso às políticas sociais.

 

Por Alexandre Santos , estudante de jornalismo do 7° período de jornalismo do UniBH

Pouco se fala sobre os profissionais que trabalham com assistência social no Brasil, mas você já parou para se perguntar sobre a importância dessa categoria para a comunidade, como eles contribuem para a sociedade e quais são os maiores desafios encarados para a efetivação de seus serviços?

A assistente social, Alice Andrade, que atualmente trabalha como perita judicial da Justiça Federal, e integra a equipe de serviço social do Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (PAI-PJ), pondera sobre qual é o atual cenário da profissão no Brasil e explica as principais dificuldades para a execução do seu trabalho. 

Vivemos tempos difíceis de desmonte das políticas públicas, o que torna nosso trabalho ainda mais desafiador. A demanda da população, que está ainda mais vulnerável com a pandemia, está cada vez maior e é um desafio manter a qualidade no atendimento”, argumenta a assistente. 

Sobre os atendimentos, Alice ressalta que a impossibilidade do encontro presencial tem sido um verdadeiro desafio. “O atendimento remoto também tem sido um grande desafio na atualidade, uma vez que grande parte da população é vulnerável e não tem fácil acesso aos meios tecnológicos”, pontua. 

O QUE FAZEM? 

Os profissionais que atuam nessa área de Assistência Social são diretamente responsáveis pela análise, planejamento e efetivação dos planos de políticas públicas, cuja finalidade é auxiliar a população no acesso aos direitos sociais. Dentre esses direitos, que são assegurados pela constituição de 1988, é possível destacar o direito ao trabalho, lazer, saúde, educação e proteção à maternidade.

Em suma, a função do assistente social é assegurar que a sociedade tenha acesso aos direitos previstos na constituição, realizando pesquisas e coletando dados. Esses profissionais estão na linha de frente da aplicação de programas governamentais, como o Bolsa Família.

Alice Andrade, assistente social entrevistada pelo Portal da CACAU (Foto: Arquivo pessoal)

Alice explica que o papel dos assistentes é elaborar, coordenar e executar os planos, programas e projetos a fim de garantir que todo cidadão tenha acesso às políticas sociais. 

“O assistente social é fundamental na busca de uma sociedade mais justa, é um profissional de luta, atento às demandas e sempre em busca de justiça social, atuando ativamente na execução e na elaboração das políticas sociais a fim de minimizar as desigualdades sociais”, elucida a profissional. 

ONDE PODEM ATUAR?

Para auxiliar as famílias, mulheres, jovens, idosos e minorias, como pessoas LGBTQIA +, pessoas indígenas e pessoas negras, os assistentes exercem a profissão em instituições governamentais e privadas. É possível encontrar esses profissionais em hospitais, creches, escolas, na prefeitura e até mesmo em universidades. 

UM DIREITO DE TODOS

Você sabia que a Assistência Social é um direito que assiste todo cidadão brasileiro que necessite? A área é sustentada  pela lei n° 8.742 de dezembro de 1993, que tem como finalidade proteger a família, amparar crianças e adolescentes, contribuir para a habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência (PCD) e auxiliar em sua integração à sociedade. 

Para que o apoio a indivíduos, famílias e grupos seja garantido, a lei sancionada pelo presidente Itamar Franco está organizada por meio do Sistema Único de Assistência Social (Suas). O sistema público, que possui gestão participativa, ou seja, que conta com a atuação da população em seu gerenciamento, é responsável por administrar os recursos dos três níveis do governo municipal, estadual e federal, para que os programas e projetos sejam executados. 

O trabalho desenvolvido pelo Suas é separado em dois tipos de proteção social, a Proteção Social Básica e a Proteção Social Especial, respectivamente. A Proteção Básica atende a população em situação de vulnerabilidade social, utilizando de programas, projetos e benefícios. Já a Proteção Especializada ampara a população que já esteve em situação de risco ou com direitos violados,,como maus tratos, abuso sexual, dentre outras ocorrências. O sistema, que é coordenado pelo Ministério da Cidadania, por meio da Secretaria Nacional de Assistência Social, foi criado a partir das discussões da IV Conferência Nacional de Assistência Social. 

“O Suas tem como eixo estruturante a matricialidade sociofamiliar*, a descentralização e a territorialização. Esse atendimento territorializado é muito importante para que o serviço seja prestado dentro do território, por quem está próximo e conhece a realidade local”, encerra. 

ONDE ENCONTRAR ESSES PROFISSIONAIS EM BH

Existem diversas formas de ter acesso ao serviço de assistentes sociais.  Pensando nisso, o Portal da CACAU separou cinco instituições, em Belo Horizonte,  desenvolvedoras de projetos, que podem ser facilmente encontradas na capital mineira. Veja: 

  • Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS): Avenida Afonso Pena, 941, 1° andar, Centro – (31) 3277-1721; 
  • Núcleo de Assistência às Famílias (NAF): Avenida Amazonas, 265, Centro – (31) 3272-0108; 
  • Centro de Referência de Assistência Social Morro das Pedras: Avenida Silva Lobo, 2379, Grajaú –  (31) 3277-7091; 
  • Centro de Referência em Assistência Social (CRAS Santa Rosa): Rua Major Delfino de Paula, 2553, São Francisco – (31) 3277-6698; 
  • Centro de Referência em Assistência Social (CRAS Vila Antena): Rua Central, 78, Vila Antena – (31) 3246- 6509; 

 

*matricialidade sociofamiliar: Segundo o portal, Portabilis, matricialidade sociofamiliar é uma das diretrizes do Painel Nacional de Assistência Social (PNAS), cujo objetivo é fortalecer os vínculos familiares e comunitários.



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