Após adiamento de um ano, Jogos Olímpicos começam em Tóquio

No calendário original, as olímpiadas aconteceriam em 2020

Por Ana Maria Rocha e Iris Aguiar, alunas do 4º e do 2º período de Jornalismo do UniBH

Os Jogos Olímpicos acontecem de 4 em 4 anos. As últimas Olimpíadas aconteceram no Brasil, em 2016, e as próximas estavam marcadas para o ano de 2020, mas devido ao contexto de crise sanitária, provocada pela Covid-19, foram adiadas.

Em março de 2020, o primeiro-ministro do Japão, Abe Shinzo, pediu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) o adiamento de um ano do evento, que estava programado para 24 de julho de 2020. Logo após esse pedido, as autoridades esportivas autorizaram e postergaram para o ano de 2021.

Caso as Olímpiadas tivessem acontecido no ano passado, alguns países já haviam se pronunciado para um boicote. Canadá, Austrália, Noruega e Reino Unido não enviariam seus atletas e não participariam. Os Comitês de outros países apenas pediram o adiamento. Mesmo com o adiamento das Olimpíadas, o nome oficial do evento será Tóquio 2020, segundo o pronunciamento do governador da cidade, Yuriko Koike.

Previstas para acontecer do dia 23 de julho até o dia 8 de agosto deste ano, as competições não terão público. Com essa mudança de data dos Jogos Olímpicos, os atletas tiveram que adaptar seus treinos, já que as medidas de isolamento fecharam clubes, academias e outros locais de práticas esportivas.

Para lidar melhor com essa realidade, muitos atletas criaram programas, junto com os seus técnicos, para que pudessem continuar treinando mesmo dentro de casa. Aqueles que praticam esportes aquáticos, por exemplo, buscaram praticar algum exercício adaptado, visando o fortalecimento do corpo e não necessariamente o aumento da performance.

Outra preocupação que surgiu com esse adiamento foi com a saúde mental dos atletas, por isso alguns comitês disponibilizaram uma cartilha, que foi desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), fornecendo dicas para controlar a ansiedade e o estresse nesse momento de isolamento.

Para falar mais sobre as Olimpíadas, convidamos o jornalista esportivo e radialista da Itatiaia, Emerson Romano.

O jornalista acredita que a pandemia já está atrapalhando muito os atletas, porque “existe um ‘ciclo olímpico’, em que quando se termina um evento, quatro anos depois tem uma outra edição. Quando termina a participação de um atleta nos jogos, ele geralmente tira um ano sabático (no qual ele faz um ano de reflexão sobre a sua carreira) ou ele descansa durante 6 meses”, comenta.

O esportista volta para as suas atividades normais e, quando está faltando um ano para as Olimpíadas, pega firme nos exercícios. A alguns meses dos Jogos, o atleta já está no seu ápice da preparação. Com os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, ocorreu um alongamento deste ciclo olímpico, sendo necessária a readequação.

Emerson afirma que o calendário só voltará ao normal de 4 em 4 anos, devido ao encurtamento dos próximos jogos.

Segundo ele, o Japão é um país muito rigoroso em relação à situação da Covid-19. “E a comunidade japonesa é um povo muito mais consciente, por exemplo, do que o brasileiro. Tóquio já está preparada para os Jogos Olímpicos e para receber as delegações, principalmente os jornalistas”, realça.

“É muito complicado a realização dos Jogos, porque são muitos países com programas de conscientização totalmente diferentes de sua origem, é um risco muito grade, mesmo que sejam atletas que possivelmente já estejam vacinados. Os Jogos só acontecem por questões financeiras e não por questões esportivas”, comenta.

Ocasiões de cancelamento das Olimpíadas 

Por ser uma competição milenar, as Olimpíadas modernas raramente são adiadas ou canceladas. O adiamento deste ano, entretanto, não foi a primeira crise global que causou mudanças nas datas do evento.

A competição foi cancelada em outros três anos: 1916,1940 e 1944, devido às grandes guerras mundiais que ocorriam no cenário global. Estes cancelamentos são marcos na história das Olimpíadas.

Os jogos de 1916 seriam disputados em Berlim, na Alemanha. Os preparativos para a competição continuaram mesmo com a guerra, pois não esperavam que os conflitos fossem durar dois anos. Com a Europa sofrendo com a destruição, os Jogos Olímpicos foram cancelados e só aconteceram novamente em 1920.

As edições de 1940 e 1944 foram canceladas pela ocorrência da Segunda Guerra Mundial. Os jogos aconteceriam em Helsinque e Londres, respectivamente, mas como o conflito mundial se estendeu por seis anos, ficou evidente que as competições teriam que ser canceladas.

Participação feminina nos jogos olímpicos 
Foto: Unsplash

A participação feminina nas Olimpíadas é outro marco a ser relembrado. A aparição de mulheres no cenário esportivo ocorreu a partir dos Jogos de Atenas, em 1896, contudo, neste ano, elas ganharam apenas o direito de assistir às competições, já que ainda se acreditava que mulheres não tinham preparo físico para competir e que alguns jogos poderiam ser prejudiciais à saúde feminina.

Apesar da proibição, neste mesmo ano, a atleta Stamati Revithi, em forma de protesto, correu o percurso da maratona no dia seguinte à competição oficial dos homens.

Em 1990, na cidade de Paris, foi quando as primeiras mulheres adquiriram o direito de participar de alguns dos esportes das Olimpíadas. As modalidades foram o golfe e o tênis. Mesmo com a possibilidade de competir, as atletas não eram premiadas com medalhas ou troféus como os homens, elas recebiam apenas certificados de participação.

A partir dessa data, as outras edições foram permitindo a participação das mulheres nos jogos e em outras modalidades. Os países também foram revogando decretos que proibiam as mulheres de competir. O Brasil, por exemplo, revogou, em 1979, o decreto de 1941, que proibia a participação feminina nas competições esportivas.

Mesmo com melhorias na participação feminina, foi apenas no ano de 2012 que, pela primeira vez, as mulheres participaram de todas as modalidades olímpicas, nas Olímpiadas de Londres. Outro marco importante ocorreu nas Olimpíadas de 2016, no Rio, em que 45% dos atletas participantes eram mulheres.

Luta Antirracista 
Peter Norman, Tommie Smith e John Carlos no pódio, na Cidade do México, em 1968. Foto: John Dominis/The LIFE Picture Collection via Getty Images.

Na história das Olimpíadas, algumas ações antirracistas também ficaram marcadas. Umas delas ocorreu em 1936, em Berlim, em que parte do país alemão, diante da influência de Hitler, que acreditava na supremacia de raça, viu um atleta negro, o americano Jesse Owens, ganhar quatro medalhas de ouro na competição.

No ano de 1968, no México, a história dos Jogos Olímpicos ficou marcada pelos protestos realizados pelos corredores americanos Tommie Smith e John Carlos, que ganharam as medalhas de ouro e bronze, subiram no pódio vestindo meias pretas e sem sapatos, briches do movimento civil e, ao tocar o hino americano, abaixaram a cabeça e ergueram o punho cerrado cobertos por luvas pretas. Essa ação era uma saudação ao movimento negro. Ao final, os atletas foram suspensos.

Vale ressaltar que, na Eurocopa, competição de futebol que terminou no dia 11/07/2021, essa saudação ao movimento negro também foi realizada por alguns times de futebol, como a seleção belga.

Lukako, jogador belga, se ajoelha em protesto antirracista em amistoso contra a Croácia. Imagem: Globo Esporte.
Jogadores da seleção inglesa vão continuar protestando durante a Eurocopa. Foto: Globo Esporte.
Jogos Paralímpicos 
Fonte: Unsplash

A Paraolimpíada surgiu com um evento de 1948, na cidade inglesa Stoke Mandeville e, a princípio, sem relação com os Jogos Olímpicos.

A sua origem tem relação direta com a atividade militar. O médico alemão Ludwig Guttmann, diretor do Centro Nacional Britânico de Traumatismos, que reabilitou soldados feridos da Segunda Guerra Mundial, criou um evento esportivo exclusivamente voltado à deficientes físicos. Foi chamado de Jogos Internacionais de Stoke Mandeville.

A pequena competição reunia apenas britânicos, mas a partir de 1952, o evento passou a receber atletas de outros países. Em 1960, estes jogos foram organizados em Roma, na Itália, que também foi a sede olímpica daquele ano. As competições daquele ano foram os primeiros Jogos Paraolímpicos, com 400 atletas de 23 países.

Atualmente, os Jogos são organizados pelo Comitê Paralímpico Internacional, que confirmou que os Jogos Paralímpicos de 2020/21, em Tóquio, serão realizados entre 24 de agosto e 5 de setembro.



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